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Dia 02 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

O despertar foi cedo (6h35), visto que o pequeno almoço era servido entre as 7h e as 7h30, mas isso permitiu-nos ver o nascer do sol sobre os Pirinéus.

 
 
 

Foi novamente servido em conjunto e fomo-nos despedindo do pessoal à medida que iam saindo. Depois, pelo caminho, íamos novamente passando por eles. As subidas eram agora mais suaves do que as do dia anterior, mas ainda assim exigentes.

Vimos paisagens espectaculares com enormes rebanhos pelas encostas. Parámos junto à estátua da Virgem de Biakorre para fotografias e para apreciar as vistas.

Pouco depois vimos uma carrinha com uma barraca montada de uma indivíduo que se tinha instalado no local para vender comida e bebidas aos peregrinos. Também tinha um carimbo próprio pelo que carimbámos a credencial.

Mais acima, perto do monte Urdanasburu (1233m) levantou um nevoeiro cerrado, depois de passar a placa de madeira que indicava "Roncevaux/Orreada" e uma cruz de pedra, o trilho abandonou o asfalto, para seguir por terra.

 
 

Passámos por um refúgio de montanha e seguimos junto a bosques fantásticos e com um ar místico devido ao nevoeiro. De vez em quando surgia um ou outro peregrino. Até passámos por um grupo que seguia a pé, em sentido contrário, com um pequeno burro a carregar as tralhas no seu dorso. Encontrámos uma placa que indicava Santiago a 765 km e a fonte de Rolando.

Por essa altura entrámos em Espanha (Navarra) e começou a chover.

No col de Lepoeder, havia duas alternativas ao caminho e seguimos pela da direita para o Col de Ibañeta que apesar de mais longa era aconselhada, em detrimento da outra, quando o tempo estava mau.

Chovia bastante e começámos a sentir muito frio por ser sempre a descer, o que tornou a descida longa e penosa. O capacete até já pingava. Passámos por um bosque denso até encontrar no cruzamento do alto de Ibañeta o vulto de uma igreja moderna.

Surgiu assim, do nada, no meio do nevoeiro e da EN. Uns sinais de trabalhos na via e umas fitas sinalizadoras deixaram-nos dúvidas sobre o caminho a seguir. Perguntámos a uma rapariga que estava parada numa carrinha e seguimos por lá até encontrarmos uma pequena retroescavadora que estava a fazer manutenção do caminho e amavelmente nos deixou passar.

Finalmente, depois de uma curva num estradão, avistámos as torres da colegiata de Roncesvalles.

Molhados e cheios de frio, entrámos por várias portas/arcadas, passando frente a uma igreja que integrava a colegiata e dirigimo-nos à zona reservada aos peregrinos. Acabámos por ficar no átrio de acesso e aproveitei para comer uma boa sandes. Quando voltámos a espreitar lá fora, o tempo tinha mudado radicalmente e o sol começava a espreitar. Seguimos caminho para a aldeia de Burguete e depois de passar um pequeno ribeiro, seguimos por campos e por trilhos no meio de bosques frondosos.

Numa zona mais adiante, depois de passar uns locais onde o caminho era com escadinhas, chegámos ao alto de Mezkivitz, onde uma placa pedia para rezar um "Salvé Rainha".

A partir daí apanhamos calçadas duras e escadinhas, começando a subir, sempre pelo trilho, até ao alto de Erro. O percurso aí é muito bonito, com muitas zonas de pinheiro manso.

Passámos por bastantes peregrinos. No alto de Erro, junto à estrada, estavam muitos parados, inclusivé duas motos preparadas para o Dakar. Depois foi sempre a descer, num piso algo técnico, até Zubiri, onde almoçámos no bar do pavilhão desportivo, a conselho da alberguista que nos carimbou a credencial.

A etapa de Zubiri adiante ficou marcada pela passagem na zona da fábrica de magnesitas, pela quantidade de portões que tivemos de abrir e fechar e por seguirmos sempre ao longo do rio, com pescadores aqui e ali.

Optámos por ficar antes de Pamplona, em Trinidad de Arre, no Convento de la Trinidad.

 

Um simpático velhote recebeu-nos numa gabinete com cheiro a antigo e a sagrado. Devia provavelmente ser um monge. Carimbámos e levou-nos à zona do albergue, que ficava na parte de trás, com entrada por uma porta antiga que dava para um pequeno jardim muito acolhedor.

Por lá estava um grupo de italianos, de alemães, espanhóis e um japonês. Comemos no bar do outro albergue (o municipal) uma refeição que nos deixou pouco satisfeitos e regressámos ao nosso abrigo dessa noite. O vento estava a levantar e parecia anunciar chuva.

 
   

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publicado às 23:51



O relato das minhas aventuras pelos Caminhos de Santiago

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