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Dia 10 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Às 7h30 já estávamos prontos para arrancar. Fomos seguindo até Ponferrada, apreciando as montanhas pintadas de vermelho do nascer do sol.

A cidade ainda estava a acordar e passeámos pela zona do casco histórico, junto ao castelo dos templários e à basílica de la Encima, com a sua curiosa lenda da virgem e dos templários.

 

A saída da cidade fez-se pelo meio de um bairro muito fino, com casas enormes.

Depois, seguiu-se a travessia de uma zona e vinha e de campos até Cacabelos, uma pequena vila bem agradável, onde carimbámos na capela à entrada do lugar e depois tomámos de assalto uma padaria numa rua mesmo onde passa o caminho.

O cheirinho que emanava do seu interior era um chamariz irresistível. Depois de sair da vila e quando estávamos a confrontar o mapa com as setas do desvio, fomos abordados por uma casal de portugueses de Ansião, que faziam o caminho a pé. Eram apenas os segundos portugueses que encontrámos ao longo de todo o caminho. Optámos por não seguir as setas que obrigavam a fazer um desvio só para passar numa aldeia que não estava no caminho original. Infelizmente essa prática era cada vez mais frequente para levar os peregrinos aos negócios que existiam nesses locais e muitos não tinha escrúpulos nenhuns e pintavam setas por iniciativa própria, levando os peregrinos a percorrer quilómetros desnecessários. Rapidamente chegámos a Villafranca del Bierzo, a cidade onde os peregrinos impossibilitados de chegar a Santiago podiam receber as mesmas indulgências.

A localidade era muito agradável e mal entrámos, fomos recebidos pelo som... de uma música de Amália Rodrigues! Nem mais! O som saía de uma janela de uma casa, espalhado-se pala rua. Eram muitas a igrejas na vila e visitámos três.

A saída da vila fez-se sempre junto ao rio Valcarte, um pequeno ribeiro de montanha entre árvores, que era um encanto.

Só apetecia molhar os pés. Passámos junto aos túneis da nacional e da auto-estrada e seguimos muito tempo por uma ciclovia separada da estrada por separadores de cimento.

Até Ferrerías ia ser fácil, mas a partir daí começava a subida para o Cebreiro. E que subida! Dos 700m passamos para os 1300m em cerca de 10km. Havia uma alternativa para as bicicletas e, na dúvida acabámos por seguir por lá.

Foi sempre pelo asfaslto, mas mesmo assim foi sempre bastante duro, pois estávamos no hora mais quente do dia. Iniciámos a subida por volta das 13h30 e já passavam das 15h30 quando chegámos ao cimo.

O sol batia forte e a estrada parecia nunca mais acabar. Parámos em Laguna de Castelo para comer alguma uma fruta e seguimos. Quando chegámos ao alto do Cebreiro, fiquei admirado com a quantidade de gente que havia por lá. Parecia a serra da Freita com os domingueiros a passear de carro. Carimbámos na capela e almoçámos num restaurante ao lado.

Eram quase 16h45 quando saímos de lá com ideias de ficar pelo albergue do local visto que é muito grande, mas um peregrino disse-nos que já estava cheio. Então tivemos de esticar a etapa até à próxima terra. Hesitámos entre seguir por estrada e seguir por trilho. A 1ª opção seria mais rápida e menos penosa, mas a zona era tão bonita que preferi o trilho e assim fomos por entre bosques de pinheiros mansos, com vistas sobre vales lindíssimos.

Em Hospital de Condesa, uma placa junto à estrada indicava que o albergue já estava cheio, então lá tivemos de fazer mais 9 km até ao Alto do Poio para encontrar lugar num albergue que mais parecia uma arrecadação ou um curral.

A hospitaleira era uma senhora com cara de poucos amigos e mal nos falou... O local resume-se a este café com o albergue nas traseiras e um restaurante do outro lado da estrada. Enfim, foi o que se arranjou.. Fizemos 73.99km, em 6h08min à média de 12,49km/h

   

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publicado às 23:41



O relato das minhas aventuras pelos Caminhos de Santiago

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