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Dia 04 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Grande dia feriado! Realmente não fizemos nada... a não ser pedalar! A etapa foi longa com 74.4km, feitos em 6h12min a uma média de 12,47km/h. A alvorada foi muito cedo em Estella no albergue Paroquial. Às 6 da manhã começaram os primeiros a levantar-se e ouviu-se o som da música de Enya. Já parece Natal! Foi uma grande confusão naquele espaço pequeno, mas com muito colaboração uns dos outros, toda a gente conseguiu safar-se. Lá nos fomos despedindo de toda a gente e carregar os alforges e ainda não era bem de dia quando saímos. Fomos pela Igreja de S. Miguel e até à ponte antiga, mas acabámos por voltar ao ponto onde tínhamos abandonado o caminho no dia anterior, para poder observar a Igreja do Santo Sepulcro.

Seguimos pelas ruas vazias da cidade até alcançar a Bodega (Adega) Irache, onde existe a famosa fonte do vinho.

No entanto essa não deitava vinho porque só funcionava a partir das 8h e ainda faltava um quarto de hora. Fiquei curioso ao ver que havia uma webcam no local. O mosteiro de Irache é logo ao lado.

Depois disso continuámos pelo trilho que permitia ver campos ceifados pintados pela luz do sol a nascer e, ao longe, uma cadeia de montanhas com falésias com tons calcários alaranjados.

À frente via-se um monte (Pico de Monjardim) onde existiam umas ruínas de uma fortaleza medieval.

Em Villamayor de Monjardim, carimbámos junto a um albergue. A partir daí o piso foi muito rolante passando por vinhedos, campos e pilhas de fardos de palha da altura de um prédio de dois andares.

 

Este troço está assinalado como sendo mau de fazer no caso de haver muito vento, mas felizmente hoje não foi o caso. Rapidamente alcançámos Los Arcos (9h30), uma vila cuja entrada pouco diz, mas que se revelou uma bela surpresa. Encontrámos uma padaria/mini-mercado e comemos sentados nos bancos no largo frente à igreja.

 A vila toda estava a preparar-se para as festas locais. Podíamos ver pretecções de madeira colocadas diante das portas das casas. Pensei logo que fosse por causa de uma largada de touros, o que viemos a confirmar depois. A largada seria nesse dia, mas apenas de tarde. Uma pena, pois gostava de assistir a algo semelhante. No fim de comer ainda fui espreitar o interior da Igreja de Los Arcos. É mesmo muito bonita e impressionante. Por fora, ninguém diria. Algumas pessoas iam passando nas ruas com trajes de festa vermelho e branco, ou não estivéssemos nós no País Basco. Seguimos caminho por zonas que alternavam entre pinhais, campos e vinhedos até chegar a Viana, mas esta sem castelo.
 

Atravessámos a zona histórica e ainda parámos para visitar a igreja.

Não nos demorámos muito porque queríamos almoçar em Logroño. O trajecto até lá foi tranquilo, passámos na zona de La Rioja, que é conhecida pelos vinhos.

Na descida para Logroño, carimbámos na casa da D. Feliza, onde estava a sua filha, continuando o legado da mãe, que entretanto falecera, de dar figos aos peregrinos.

Parámos novamente no atendimento ao peregrino, depois de passarmos pela ciclovia junto ao rio Ebro.

Procurámos a calle Laurel, que o guia recomendava como sendo um bom local para comer. Era uma rua muito movimentada com imensos bares e muitas pessoas a beber na rua. Como só havia tascas de tapas, acabámos por ir para um pequeno restaurante ao lado da catedral.

Depois de almoçar, lá nos pusemos a caminho. Foi difícil encontrar o trilho no meio das ruas do centro da cidade, mas lá conseguimos. Entrámos num parque e passámos junto de uma barragem/parque urbano muito grande, que atravessámos sempre pela ciclovia. Assim custou menos e foi agradável. A subida até à autovia foi dura porque o calor começou a apertar. Junto à rede encontrámos cruzes feitas pelos peregrinos com pequenos pedaços de madeira, tal como à saída de Puente de la Reina, só que desta vez eram muitas mais. Imensas mesmo!

Em Navarrete, a vila que atravessámos a seguir, preparava-se uma festa. Optámos então por continuar em direcção à próxima aldeia chamada Ventosa. Já estava a ficar cansado e com dores nas pernas. Quando encontrámos o albergue San Saturnino fiquei surpreendido com o seu aspecto. Era muito bom mesmo, com excelentes condições!

O quarto onde ficámos apenas tinha três beliches e acabámos por ficar apenas 5 no quarto.

Depois do banho fomos procurar onde comer. Ainda tivemos oportunidade de ver umas danças tribais no centro da aldeia e regressámos ao albergue.

   

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publicado às 23:48

Dia 05 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Hoje, bem cedo, o DJ de serviço decidiu brindar-nos com cânticos gregorianos, logo pelas 6 da manhã para nos acordar. Mesmo assim, ainda me deixei ficar até às 7h. Saímos do albergue de S. Saturnino (Muito bom!) às 8h em ponto, mas 1 km depois tive de parar para voltar a tratar dos travões da bicicleta. Até Nájera atravessámos imensas zonas de vinhedos.

O troço era em terra dura e aos buracos, o que se tornava muito desagradável para o rabo. Em Nájera, de assinalar as falésias rochosas de tom avermelhado escuro, junto aos prédios e o facto de termos reencontrado a ciclista que tinha pernoitado no mesmo albergue.

Devia ser alemã e pretendia seguir para Madrid depois de chegar a Santiago,sempre de bicicleta. Continuámos no piso "rompe-cús" e em subida contínua, quase imperceptível, mas desgastante.

Em Stº Domingos de la Calzada, aproveitámos uma estação de lavagem automática para tirar a lama seca do quadro das bicicletas e o pó acumulado nas transmissões.

Ficaram como novas. Fomos a uma padaria e a um mini-mercado e lanchámos numa pequena praça perto do albergue.

Em seguida ainda fomos espreitar a zona da catedral e da torre, mas não entrámos.

Com tanta volta, acabámos por por perder o trilho e tivemos de andar para trás e para a frente para o reencontrar.

A partir daqui as zonas de vinha desapareceram completamente para dar lugar aos imensos campos de trigo (já ceifado) onde só restava o restolho.

Também encontrámos zonas de campos de girassóis, onde os peregrinos se divertiam tirando algumas sementes de forma a criar desenhos na própria flor. Muito bonito e original.

A partir de Redecilla del Camino, entrámos na província de Castilha, facto indicado por uma grande placa e, no centro da aldeia, por um marco.

O caminho já não era o "rompe-cus" mas antes de terra e gravilha, o que sempre é melhor. Os últimos quilómetros até Belorado foram sempre a descer, e que bem que souberam!

Carimbámos num albergue que já estava lotado e seguimos até à praça mayor para almoçar quando já passava das 15h. Já eram 16h15 quando saímos do restaurante com ideias de ficar em Villambista, a 6km, no albergue. Por ser dia de festa local, estava fechado. Continuámos até Espinosa del Camino, mas uns betetistas que estavam parados por lá disseram-nos que estava cheio. Mau! Felizmente, em Villafranca Montes de Oca, tínhamos lugar no albergue, num edifício que parecia uma antiga escola.

À noite, depois de jantar, ainda tivemos oportunidade de assistir a um espectáculo de danças russas que decorreu junto à igreja. Os trajes dos bailarinos eram super coloridos.

 
   

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publicado às 23:47

Dia 06 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Hoje levantei-me às 6h30 para ver se andávamos o mais possível pela fresca. Mesmo assim acabámos por ser as últimas bicicletas a sair. A subida inicial a partir da aldeia a frio era penosa e preferi empurrá-la. O trilho pelos Montes de Oca é que foi fabuloso.

Uma floresta enorme de árvores autóctones (carvalhos) e mais adiante uma zona de pinhal de um lado e carvalhal do outro, com um trilho muito largo (tipo corta fogo) a separá-los.

Depois da subida inicial, o caminho tornou-se muito rolante e fizemos uma boa média. Chegámos a S. Juan de Ortega, uma pequena aldeia com um mosteiro bastante grande e muito bonito. Visitámo-lo (gostei do pormenor de ter uma cripta) e carimbámos num café ao lado.

Em seguida queríamos ir para Burgos, mas havia duas alternativas: uma ao longo da EN 120, o que não me parecia muito agradável, e outra que correspondia ao caminho principal.

Claro que optámos por esta última. Passámos por Atapuerca, uma localidade onde existem vestígios arqueológico pre-históricos e que é património da humanidade.

Logo a seguir entrámos num trilho a subir bastante e com um piso muito mau: um misto de terra vermelha e pedra calcária que me fez lembrar o barrocal algarvio. Do lado esquerdo, o arame farpado e placas indicavam que era território militar. Depois de chegar ao alto onde havia uma cruz e uma placa com uma citação, iniciámos a descida.

Já se via Burgos bem perto e parecia enorme. Depois de passar por cima da auto-estrada, nova dúvida: havia setas para um lado e para outro. No livro dizia que apenas uma das opções era o caminho, pelo que contornámos o aeroporto em direcção ao centro. Ainda tivemos de atravessar uma via rápida e meter-nos por zonas industriais e zonas de apartamentos. Depois de uma rotunda com uma fonte de Santiago perdemos o trilho e tivemos de perguntar por onde seguir. Apanhámos uma ciclovia que fomos seguindo até conseguir dar novamente com o trilho.

O livro falava de uma ciclovia junto ao rio, mas não conseguimos dar com ela e por isso a entrada em Burgos foi deprimente. Junto à catedral tirámos as fotos da praxe.

O português estava por lá e voltámos a conversar um pouco. Carimbámos na catedral e fomos lanchar/almoçar junto ao rio, frente à porta de entrada da cidade antiga para a catedral.

Para sair de Burgos foi mais fácil.

Ainda parámos num supermercado para abastecer para o dia seguinte e continuámos seguindo pela universidade e passando sobre a auto-estrada. Atravessámos ainda uma pequena aldeia - Rabi de las calzadas - muito engraçada, onde carimbámos.

Parámos em Hornillo del Camino para almoçar. Na etapa a partir de Burgos sentia-me bastante bem e foi sempre a puxar e esticar sem grandes dores.

Os 11km até Hontanas, onde ficámos no albergue El Puntido, foram feitos sempre a abrir e soube-me muito bem.

Foram 74,93 km em 5h33min a pedalar, à média de 13,94km/h. Já vamos com 344km no total.

   

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publicado às 23:46

Dia 07 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

O amanhecer foi cedo. Levantámo-nos em silêncio para não acordar os outros. Ainda estava escuro, mas enquanto arrumámos as coisas e tomámos o pequeno-almoço, lá se fez luz. A manhã estava fresca e valeu o impermeável para agasalhar. Depois de alguns quilómetros por campos e por estrada, passámos pelas arcadas do Mosteiro de Stº Anton.

A particularidade é que a estrada passa mesmo debaixo dos arcos das ruínas do mosteiro.

Muito bonito e curioso... Depois começámos a avistar o monte da vila de Castrojeriz, uma pequena localidade por onde passámos rapidamente.

À saída da aldeia, comecei a avistar ao longe um monte com uma subida enorme que rasgava o seu flanco da direita para a esquerda, num ângulo de 45º.

Devia ser a tal subida de que uns amigos me tinham falado. Lá atacámos a subida com alguma apreensão devido ao seu comprimento. A parte inicial foi feita à mão porque havia muitos seixos soltos, mas assim que deu, montei e acabei por fazer 80% da subida em cima da bicicleta. Do alto, a vista levava até ao horizonte.

Um marco existe lá no alto, bem como um pequeno abrigo onde estava marcado "Bajada periglosa concentracion de acidentes" para alertar os ciclistas. A descida acabou por ser mais fácil do que era esperado. Em comparação com esta achei a descida do Monte del Perdon muito mais arriscada.

Depois... bem depois foram rectas enormes até chegar ao Pisuerga e à ponte Fitero, uma ponte medieval, situada logo após um albergue/hospital de peregrinos situado numa antiga capela, e que marca a entrada na região de Palência.

Continuámos até Boadilla del Camino, a localidade onde existe um albergue muito interessante, que fomos espreitar. No largo à frente existe a igreja e um "rollo", uma espécie de pelourinho. Este era muito grosso, branco e muito trabalhado. Nesse mesmo local estava um casal de meia-idade (ou mais) a fazer o percurso de bicicleta também. Afinal não há mesmo idades para isto! Continuámos até encontrar o Canal de Castilla, um canal de irrigação antigo com as margens cheias de juncos.

Pedalar junto à água foi agradável e rapidamente chegámos à Eclusa de Fromista, local onde existe uma espécie de barragem para nivelar as águas do canal.

A seguir a esta zona seguimos por uma paisagem monótona entre campos e canais de irrigação.

Almoçámos em Carrion de los Condes, depois de ter carimbado numa igreja à entrada da vila.

Deve ter sido o dia em que almoçámos mais cedo, eram 13 horas. Logo ao lado havia o museu com um pórtico com altos relevos assinaláveis. Depois de passar uma outra ponte medieval, apanhámos o trilho em terra e foi sempre a pedalar sob o sol intenso, que era atenuado pelas sombras de choupos plantados nas margens.

Passámos numa parte que correspondia à antiga Via Aquitana, uma via romana que ligava Bordéus a Astorga.

Dessa ligação nada resta a não ser o traçado e uma placa a assinalar o facto. Só parámos em Calzadilla de la Cueza para uma pequena pausa e comer umas laranjas. A ideia era ficar um pouco adiante desse final de etapa, eventualmente esticar até Sahagun, mas por razões profisisonais fui obrigado a ficar no albergue Los templários, na aldeia de Terradillos de los templários, para ter acesso à net. O albergue é um edifício grande e novo, com óptimas condições.

No entanto, a água das torneiras que usámos no banho e para lavar a roupa tem uma cor meio amarelada... Será que é boa? Hoje fizemos 82,46 km.

   

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publicado às 23:46

Dia 08 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Novamente madrugámos. Tocou às 6h AM e levantei-me às 6h30. Tomámos o pequeno-almoço no albergue dos templários e ainda não eram 7h30, já estávamos a pedalar. A manhã estava fresca e o sol ainda não se tinha levantado. O percurso ao longo do dia foi menos bom por termos andado sempre junto de estradas, ou da EN 120 ou da A-231, sempre com o barulho dos carros por perto. O piso foi bastante rolante, o que nos permitiu ultrapassar ligeiramente a barreira dos 100km. Antes de Sahagun, optámos por uma alternativa à senda de peregrinos junto à estrada. valeu pela vista do nascer do sol e sobre Sahagun.

Ao longo desta etapa também vimos curiosas habitações trogloditas. Só se via a entrada e uma chaminé. O resto estava coberto por terra, provavelmente para aguentar o calor daquela zona. Também vimos muitas construções em Adobe, um material muito usado antigamente que consiste numa mistura de barro e palha que é seca para formar uns tijolos duros.

Antes de entrar na cidade, passámos pela pequena ermida da Virgem del puente (em obras), junto a uma pequena ponte medieval.

Um local muito pitoresco. Em Sahagun, a maior parte dos edifícios eram em tijolo burro, o que dava uma tonalidade alaranjada a toda a cidade.

Carimbámos num bar que estava aberto, junto a um pórtico antigo, o arco de S. Bento, e a um monumento que marcava o meio do caminho.

No entanto, acho que essa efeméride é apenas relativa ao percurso em território espanhol, e como tínhamos começado em França, já íamos com mais alguns quilómetros nas pernas.

À saída de Sahagun há duas opções: ou ir pelo Real Caminho Francês ou pela Calçada dos Peregrinos. Tanto uma como outra opção pareceram-nos válidas quanto à sua autenticidade, mas como a 1ª segue sempre junto à estrada, optámos pela 2ª, que seguia pelo meio dos campos.

Passámos sobre a linha de caminhos de ferro e mais à frente parámos junto à fonte do peregrino (antes de Calzadilla de los Hermanillos) para merendar. Esse é o trajecto da Via Trajana, um percurso longe da confusão, cuja calma era apenas interrompida por um ou outro tiro de caçadores. Com isso acabámos por passar afastados uns quilómetros ao lado de El Burgo Ranero. Desde aí até Mansilla de la Mulas, o percurso foi muito monótono, sempre por uma via larga, ora em piso "rompe-cus", ora em saibro com pedras, mas sempre bastante rolante. Passámos inúmeros canais de regadio, alguns bem largos e até passámos uma zona de obras onde estavam a construir um novo canal. Em Mansilla de las Mulas entrámos por um pórtico/arco e carimbámos num albergue nessa mesma rua, com óptimas condições.

À saída da vila, tivemos de atravessar uma ponte antiga de uma só fila, coordenada por semáforos, onde uma mulher ao volante de um C3 mostrou os seus dotes de condutora fazendo inversão de marcha em plena ponte. Ora vai à frente e bate, ora recua e bate... e o trânsito parado. A mulher estava tão atrapalhada que foi preciso um ciclista orientá-la até conseguir pôr o carro direito e por pouco ele não era atropelado. Hoje às 11h30, já tínhamos 50 kms percorridos. A partir daí seguimos sempre por um trilho paralelo à EN 120, e num pequeno povoado, Villamores de Mansilla, seguimos o conselho do livro e fomos pelo interior da aldeia para evitar o trânsito junto à estrada, mas acabaríamos por regressar mais adiante. Na passagem da ponte de Puente Villarente, senti o perigo da passagem dos camiões a escassos centímetros de mim. A ponte tem um passeio minúsculo e colocaram rails de protecção, nos quais os alforges estavam sempre a embarrar de tão estreito que era.. Depois de passar o meio da ponte, o passeio simplesmente... desaparece!

Tivemos de esperar para conseguir uma brecha no trânsito e atravessar evitando os camiões e os carros. Continuámos passando pelas obras do que parece ser uma futura auto-estrada para Leon.

 

A seguir começaram a surgir os pavilhões industriais e atravessámos uma via rápida por uma passagem superior metálica, num local que era antes considerado o ponto negro do caminho. Felizmente parece que a passagem superior resolveu o problema.

A partir daqui temia que acontecesse o mesmo que aconteceu em Burgos e perdêssemos o rumo certo, mas felizmente o caminho está bem assinalado com as setas ou pequenos triângulos amarelos no chão ou ainda vieiras metálicas incrustadas no pavimento dos passeios.

Passámos pelas muralhas antigas e carimbámos no albergue municipal antes de irmos à procura de onde comer, pois já passavam das 13h30. Depois de almoçar, fomos visitar o interior da Basílica e a zona da Casa de Botines, uma obra de Gaudi.

Fomos até à catedral de Leon tirar umas fotos e acabámos por nos afastar do trilho. Conseguimos encontrá-lo e fomos seguindo ao longo de intermináveis passeios.

Quer a entrada, quer a saída de Leon pareceram intermináveis, pois tínhamos de ir devagar para ver as indicações, o que nos obrigava a seguir pelos passeios e não pela rua. Obviamente, não podíamos ir depressa para não comprometer a nossa segurança e a dos peões. Ainda em Leon, gostei de passar no Parador de San Marcos, cujo termómetro da praça marcava 32º.

Os pombos e um cão que por lá andavam não saiam da beira dos repuxos de água, o cão até se deitou em cima. Gostei também da ponte sobre o rio Bernesga e da pequena ermida de Santiago que parecia entalada no meio dos prédios.

Depois de Virgem del Camino, optámos pela variante de direita por Villandangos del Páramo até S. Martin del Camino, um percurso sem grande interesse, mas bastante rolante, que nos permitiu fazer 101 km neste dia. Em S. Martin del Camino, passámos pelos três albergues da vila e acabámos por ficar no Albergue Privado Ana. Antes tivesse tido um furo que me obrigasse a parar noutro sítio!!! Tomámos banho e lavámos a roupa num jardim nas traseiras, mas com a particularidade de ter uma canal de irrigação a passar pelo meio, seguindo através de todas as propriedades que estavam à sua frente. Ficámos a descansar nas cadeiras, à sombra das árvores. Jantámos e fomos para a cama cedo.

   

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publicado às 23:43

Dia 09 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

6h20. Toca o relógio. Levantámo-nos, montámos os alforge e arrancámos.

Chegámos a Hospital de Orbigo, um local com uma grande ponte medieval, bastante bonita, mas que estava tapada em obras para recuperação. Acabámos por seguir pela variante junto à estrada até Astorga, um percurso sem grande história, mas menos exigente.

 

Gostei de Astorga: é uma pequena cidade com origens romanas. Na Plaza Mayor, um carrilhão dava as horas com duas figuras mecanizadas.

Um pouco antes tínhamos passado pelas ruínas de vestígios de uma casa romana. A partir de Astorga, o percurso começou gradualmente a subir dos 869m para os 1149m de Rabanal del Camino.

Fomos sempre junto à estrada passando por Stª Catalina de Zomoza, uma pequena aldeia pitoresca. O calor apertava e o sol batia intensamente e a pique. Lá continuámos por Rabanal del Camino, uma aldeia que se resumia a uma calle a subir com restaurantes de um lado e outro.

 
Passámos pela aldeia, quase em ruínas de Foncebadon, a última antes do nosso objectivo do dia.

O nosso objectivo era outro: chegar à Cruz de Ferro, um local mítico do Camino, com um monte de pedras à volta de um poste de madeira com uma pequena cruz no topo. Dizem que foram os peregrinos que o criaram.

A tradição diz que devemos deixar uma pedra do tamanho dos nossos pecados, que teremos carregado desde o sítio de onde partimos. A partir daí entrámos numa zona de paisagens deslumbrantes a fazer lembrar as serras de Arouca e seriam 15 km sempre a descer por estrada.

Encontrámos uma casa curiosa na aldeia abandonada de Manjarim, mesmo à beira da estrada, cheia de bandeiras e indicações dos quilómetros para diversos pontos do mundo.

Descemos mais uma bocado, sempre por estradas muito inclinadas onde uma falha de travões seria facilmente fatal até à aldeia de El Acebo, onde almoçámos muito bem.

Aqueles filetes de ternera saborosos souberam mesmo bem! Continuámos até Molinaseca.

Chegados a Molinaseca e à sua ponte de entrada na aldeia ficámos conquistados. Não conseguimos resistir a uma praia fluvial cheia de gente.

Estava muito calor e a agua convidava a uma banhoca. Optámos por ficar ali mesmo. Fomos procurar o albergue e demos entrada no albergue de Santa Marina.

Depois de tomar banho e lavar a roupa, fomos a pé até ao centro da aldeia e ao rio. Não resisitmos à água e apesar de não termos fatos de banho entrei na água pelo menos para molhar as pernas. Estivemos a apreciar a multidão, inclusivé um grupo de italianos pelo qual tínhamos passado depois de Manjarim. As miúdas do grupo não resistiram e sacaram a roupa e foram mesmo de roupa interior à água. Jantámos ali ao lado numa esplanada e soube mesmo bem aproveitar o fim do dia por ali. Hoje fizemos 76.42 km em 5h30min, à média de 14.25 km/h.

   

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publicado às 23:42

Dia 10 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Às 7h30 já estávamos prontos para arrancar. Fomos seguindo até Ponferrada, apreciando as montanhas pintadas de vermelho do nascer do sol.

A cidade ainda estava a acordar e passeámos pela zona do casco histórico, junto ao castelo dos templários e à basílica de la Encima, com a sua curiosa lenda da virgem e dos templários.

 

A saída da cidade fez-se pelo meio de um bairro muito fino, com casas enormes.

Depois, seguiu-se a travessia de uma zona e vinha e de campos até Cacabelos, uma pequena vila bem agradável, onde carimbámos na capela à entrada do lugar e depois tomámos de assalto uma padaria numa rua mesmo onde passa o caminho.

O cheirinho que emanava do seu interior era um chamariz irresistível. Depois de sair da vila e quando estávamos a confrontar o mapa com as setas do desvio, fomos abordados por uma casal de portugueses de Ansião, que faziam o caminho a pé. Eram apenas os segundos portugueses que encontrámos ao longo de todo o caminho. Optámos por não seguir as setas que obrigavam a fazer um desvio só para passar numa aldeia que não estava no caminho original. Infelizmente essa prática era cada vez mais frequente para levar os peregrinos aos negócios que existiam nesses locais e muitos não tinha escrúpulos nenhuns e pintavam setas por iniciativa própria, levando os peregrinos a percorrer quilómetros desnecessários. Rapidamente chegámos a Villafranca del Bierzo, a cidade onde os peregrinos impossibilitados de chegar a Santiago podiam receber as mesmas indulgências.

A localidade era muito agradável e mal entrámos, fomos recebidos pelo som... de uma música de Amália Rodrigues! Nem mais! O som saía de uma janela de uma casa, espalhado-se pala rua. Eram muitas a igrejas na vila e visitámos três.

A saída da vila fez-se sempre junto ao rio Valcarte, um pequeno ribeiro de montanha entre árvores, que era um encanto.

Só apetecia molhar os pés. Passámos junto aos túneis da nacional e da auto-estrada e seguimos muito tempo por uma ciclovia separada da estrada por separadores de cimento.

Até Ferrerías ia ser fácil, mas a partir daí começava a subida para o Cebreiro. E que subida! Dos 700m passamos para os 1300m em cerca de 10km. Havia uma alternativa para as bicicletas e, na dúvida acabámos por seguir por lá.

Foi sempre pelo asfaslto, mas mesmo assim foi sempre bastante duro, pois estávamos no hora mais quente do dia. Iniciámos a subida por volta das 13h30 e já passavam das 15h30 quando chegámos ao cimo.

O sol batia forte e a estrada parecia nunca mais acabar. Parámos em Laguna de Castelo para comer alguma uma fruta e seguimos. Quando chegámos ao alto do Cebreiro, fiquei admirado com a quantidade de gente que havia por lá. Parecia a serra da Freita com os domingueiros a passear de carro. Carimbámos na capela e almoçámos num restaurante ao lado.

Eram quase 16h45 quando saímos de lá com ideias de ficar pelo albergue do local visto que é muito grande, mas um peregrino disse-nos que já estava cheio. Então tivemos de esticar a etapa até à próxima terra. Hesitámos entre seguir por estrada e seguir por trilho. A 1ª opção seria mais rápida e menos penosa, mas a zona era tão bonita que preferi o trilho e assim fomos por entre bosques de pinheiros mansos, com vistas sobre vales lindíssimos.

Em Hospital de Condesa, uma placa junto à estrada indicava que o albergue já estava cheio, então lá tivemos de fazer mais 9 km até ao Alto do Poio para encontrar lugar num albergue que mais parecia uma arrecadação ou um curral.

A hospitaleira era uma senhora com cara de poucos amigos e mal nos falou... O local resume-se a este café com o albergue nas traseiras e um restaurante do outro lado da estrada. Enfim, foi o que se arranjou.. Fizemos 73.99km, em 6h08min à média de 12,49km/h

   

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publicado às 23:41

Dia 11 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

A manhã revelou o melhor da zona, pois fomos seguindo o caminho que nos dava a descobrir paisagens deslumbrantes sobre os vales da Galiza.

O sol ainda não tinha nascido e foi possível ver as névoas a cobrir os vales, lá ao fundo, enquanto o sol despontava pouco a pouco.

Foi sempre a descer, inicialmente pelo caminho largo e arenoso, depois, com descidas técnicas e pedregosas.

Apanhámos trilhos pelo meio de bosques frondosos até chegar a Triacastela. à saída da aldeia tínhamos duas alternativas de caminho e escolhemos a mais longa que passava pelo mosteiro de Samos.

Até chegar lá, fomos seguindo um ribeiro, passando pelo meio de pequenas aldeias onde se via que a actividade principal era a agricultura e a pecuária.

As ruas estavam sempre cheias de dejectos dos animais, fazendo lembrar as aldeias das serras. O edifício do mosteiro é enorme e impressionante, fomos carimbar à loja do mosteiro onde fomos recebidos por um simpático monge, enquanto outros estavam atarefados junto às escadarias da igreja do mosteiro, limpando os restos de um casamento recente.

Continuámos passando por pequenos lugares que se resumiam a duas ou três casas, subindo e descendo, sempre pelo meio de zonas muito arborizadas.

Voltaríamos ao troço comum um pouco adiante, apercebemos do facto facilmente, pois voltaríamos a encontrar as multidões de peregrinos a pé, que tinham seguido pela outra alternativa por ser mais curta. A partir daí foi sempre a descer até Sarria. A chegada à cidade faz-se a subir, e passa por uma escadaria que evitámos por razões óbvias, contornando pela rua do albergue, onde a fila de peregrinos à espera da abertura era já imensa. Parámos um pouco à frente, junto à igreja de Sta Marina, cuja parede está pintada com grafitis engraçados alusivos ao caminho.

Depois, saindo da cidade, passámos junto ao convento de La Madalena, atravessaríamos a pequena ponte pitoresca de Áspera, que aparece em muitas fotos dos panfletos sobre o caminho, continuando por zonas de campos e bosques, e passando pela linha de comboio e ainda debaixo de um enorme viaduto para automóveis.

Voltaríamos então aos bosques densos com árvores centenárias e enormes, bem como ao sobe e desce do relevo.

O caminho, tal como disse, alternava entre pequenas aldeias com muita m... de vaca e ovelha pelas ruelas, vacarias, e bosques densos que, felizmente, nos iam protegendo do sol, apesar do dia ter sido inicialmente enevoado.

Cruzámo-nos com muitas pessoas que estavam a fazer o caminho em família, a pé, com carrinho de bebé ou de bicicleta.

Íamos contando os quilómetros pelos marcos de pedra que indicam a distância até Santiago, até chegarmos ao marco com o número 100.

A partir daí já só faltava dois dígitos para Santiago. A partir de Sarria o número de peregrinos a pé passou a ser ainda maior por ser a maior cidade existente a mais de 100km de Santiago, distância mínima para quem quer obter a Compostela da peregrinação. Chegámos então a Portomarin, onde atravessámos a ponte sobre o rio Minho.

Logo a seguir à ponte existe uma estranha construção: uma escadaria que inicia no meio de uma rotunda e leva a uma espécie de porta fortificada.

O caminho era pela escadaria, mas tivemos de contornar essa zona com as bicicletas. Almoçámos junto à Igreja de Portomarim.

Achámos que seria melhor ficar por ali; já era tarde e o calor apertava. Infelizmente um dos albergues estava cheio, mas acabámos por encontrar vagas no albergue municipal. Existem dois albergue municipais: o velho e o novo.

Ficámos no velho, no entanto a lavagem da roupa era no novo, pelo que tivemos de ir até lá. Depois de lavar a roupa aproveitámos para descansar no jardim ao lado, onde dois massagistas aliviavam as dores de vários peregrinos.

Aproveitámos para conhecer a vila de Portomarim que, tal como a aldeia da luz em Portugal, foi deslocalizada devido à construção de uma barragem. Depois de jantar ainda fomos apreciar a zona da ponte, da escadaria e da barragem. Por volta da 22h, no jardim ao lado, os massagistas continuavam a trabalhar... Fizemos 63,64km em 4h59min à média de 13,22 km7h.

   

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publicado às 23:41

Dia 12 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Hoje saímos mais tarde por preguiça minha. Achava que o dia ia ser mais leve e que não seria necessário levantar tão cedo. Enganei-me. Eram 8h30 quando nos pusemos à estrada, atravessando a pequena ponte pedestre sobre um afluente da barragem.

A partir daí enfiámo-nos outra vez nos bosques densos e escuros, espectaculares. Apanhámos bastantes subidas mas a inclinação da maioria era a meu gosto e aproveitei para esticar durante os primeiros 25 km. O número de peregrinos ao longo do trilho era enorme, perdi a conta às vezes que tive de dizer "Buen Camino", "Perdon!" e "Holá!".

Às vezes, quando o trilho era mesmo ao lado da estrada, optava pelo asfalto para evitar a multidão. Hoje o tempo estava a ameaçar chuva, estava óptimo para pedalar com uma temperatura amena.

Infelizmente a ameaça fez-se realidade e começou mesmo a chover. Choveu timidamente da parte da manhã e continuamente depois do meio-dia. Perante isto, pensámos que o melhor seria pedalar o máximo sem parar para almoçar, pois se parássemos e ficássemos com frio, seria muito difícil recomeçar. Assim fizemos!

Foi a cerca de 8 km depois de Palas de Rei, em Coto, que a chuva apareceu. Vestimos os impermeáveis e fomos seguindo. Como o trilho era quase semrpe debaixo de frondosos bosques, quase nem nos molhávamos.

Um pouco adiante, junto a uma zona industrial, encontrámos monólitos com nomes inscritos de pessoas que pertenciam à Ordem de Santiago. O trilho foi quase sempre um verdadeiro "rompe-pernas": subidas algo intensas e longas descidas, que passavam demasiado rapidamente, para novamente apanhar uma subida. Muito mau para as pernas... Começámos a sofrer... Eu especialmente devido às dores na zona pélvica, que começava a ficar massacrada.

Em Árzua, mal parámos para carimbar num quiosque do turismo. Da cidade apenas recordo a confusão do trânsito que nos dificultou a progressão.

A chuva instalou-se definitivamente e procurámos esticar a etapa até ficar no 1º albergue antes de Pedrouzo. Os marcos que assinalam os quilómetros até Santiago de Compostela iam desfilando à nossa frente: 50 km, 40 km, 30... e ficámos em Santa Irene, num pequeno albergue público, a cerca de 21 km de Santiago.

Depois de encostarmos as bicicletas e tomar banho, tivemos um novo problema que nunca antes tinha surgido: já passavam das 16h, estávamos sem almoçar e o restaurante mais próximo estava 1 km para trás... ah, claro, chovia copiosamente! Decidimos tentar enganar a fome e aguardar até mais tarde comendo apenas uma refeição que seria ao mesmo tempo almoço, jantar e ceia! Às 19h a chuva não parava, então não tivemos outra alternativa senão meter-nos à estrada em direcção ao restaurante. Fomos a pé, abrigado debaixo do meu outro impermeável, que era a única coisa seca e à prova de água que tínhamos. Depois de uma refeição num restaurante onde estava pendurado... o cachecol do Benfica, regressámos ao albergue, durante uma acalmia da chuva. Amanhã seria o grande dia, o culminar da viagem, da aventura. Estávamos impacientes, mas com muita vontade de regressar a casa também. Foram 70,84km, em 5h36min, à media de 12,96km/h

   

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publicado às 23:36

Dia 13 - Caminho Francês de Santiago

por daraopedal, em 27.09.10

Voltámos a acordar cedo (6h30) e pelas 7h30 já estávamos a pedalar.

Ainda havia pouca luz e bastante nevoeiro quando nos aventurámos pelos trilhos adentro, e, nas zonas com muita vegetação, o ambiente eram ainda mais sombrio. Pelo menos não chovia, embora os trilhos estivessem com alguma água, mas sem lama.

Chegámos ao marco com o quilómetro 20. Já faltava pouco, mas os trilhos estavam novamente cheios de peregrinos que se deslocavam com muito entusiasmo, tal como nós, em direcção ao objectivo final. O trilho voltou ao sobe e desce que mói as pernas, mas o entusiasmo era muito e isso não chegava para nos fazer abrandar. Passámos junto à auto-estrada e à pista do aeroporto de Santiago.

A expectativa era de ver as torres da catedral ao longe, mas isso só aconteceu mesmo quando chegámos ao Monte do Gozo, um local onde existe um enorme monumento com uma base de cimento, painéis e uma figura de bronze em homenagem à peregrinação de João Paulo II.

Dali viam-se realmente as torres da catedral, embora dentro de muito pouco tempo isso venha a deixar de ser verdade devido a uma mancha de eucaliptos que estão a começar a tapar a vista.

Carimbámos na capela ali ao lado e começámos a descer. Aí deparámo-nos com um problema: um grupo enorme de peregrinos/reformados seguia pelo caminho desde o Monte do Gozo até à catedral. Ultrapassá-los foi enervante e entediante, mas lá conseguimos.

Finalmente chegámos ao final de toda esta aventura, à Praça do Obradoiro. Estávamos diante da Catedral de Santiago de Compostela!

Eram quase 10 horas da manhã. Dirigimo-nos para a Oficina do Peregrino para buscar a Compostela, o certificado oficial que comprova a realização da peregrinação. Ainda estivemos quase uma hora na fila para o conseguir.

Fomos então à estação de comboios, serpenteado no meio do trânsito e das obras em frente à estação, para comprar o bilhete de regresso. Voltámos à catedral para entrar para assistir à missa e ficámos numa fila enorme. No entanto, não tivemos sorte e o último a entrar na igreja ficou a pouco mais de 20m à nossa frente. Fui perguntar ao segurança para confirmar. A catedral estava cheia e não entrava mais ninguém antes do fim da missa. Percebi também que estávamos na fila errada para entrar pela porta santa, a tal que só abre em anos de Xacobeu. Mudámo-nos então para outra fila enorme, onde estivemos quase uma hora até conseguir entrar.

O abraço ao Santo e a descida até à cripta foram muito rápidos, mas foram o culminar da epopeia. À saída, um pouco por acaso, reparámos que um peregrino entrara por um outra porta mostrando a credencial ao segurança. Fomos perguntar ao mesmo segurança e recebemos a confirmação, só não podíamos entrar com a mochila do camelback. Decidimos então visitar a catedral um de cada vez enquanto o outro esperava com a mochila. Fiquei um pouco mal impressionado com a confusão e barulho que se faz sentir na catedral, tirando muito do misticismo do local. Fui até ao portal da glória, na entrada ao fundo da catedral e verifiquei que o mesmo estava em obras e a coluna, o local onde é suposto tocar e bater com a cabeça estava agora protegida com umas grades metálicas.

Visitámos então a zona em redor da catedral, as pequenas ruelas de aspecto pitoresco e almoçámos num restaurante ali perto. O almoço foi tão demorado que depois tivemos de andar a correr à procura de uns "recuerdos" para levar.

Finalmente estávamos de regresso a casa. O dia tinha sido tranquilo pois apenas percorrêramos 23,58km. Instalámo-nos confortavelmente no comboio todo catita da Renfe, deixando as bicicletas bem arrumadas no local do compartimento reservado para esse efeito.

 

Até existe um sistema de cadeado para prender as bicicletas quando se encontram penduradas colocando 1€ como caução.

Muito bom mesmo! A CP que aprenda! Chegámos cedo a Vigo onde estivemos à espera cerca de 1h30 até apanhar o comboio/chocolateira até ao Porto.

É abismal a diferença entre o comboio português e o espanhol. Até percebo que a linha não seja muito rentável ao longo do ano, mas a verdade é que a lotação até ia bem composta, com bastante gente, talvez por ser verão, o que justificavam eventualmente um comboio um pouco melhor. Pelo menos colocaram uns ganchos para pendurar as bicicletas na carruagem de carga, o que não existia da última vez que fiz a viagem.

Eram vários os peregrinos que regressavam às terras lusas, satisfeitos e contando as suas aventuras. Na passagem do rio Minho, entre Tui e Valença do Minho, entraram agentes do SEF para controlar as identidades. Quando chegou à minha vez, lá tive de explicar que tinha esquecido o BI e só tinha o cartão de saúde. Por sorte, lá me deixou continuar e até estivemos um bocado na conversa. A aventura findou na estação de Campanhã, já passavam das 10h da noite e ainda tivemos direito a uma pedalada pelas ruas da cidade até chegar ao nosso poiso.

   

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publicado às 23:35


O relato das minhas aventuras pelos Caminhos de Santiago

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